Empreendedorismo – parte 2

Seguindo os posts sobre o tema, vamos falar um pouco sobre os diversos tipos de empreendedorismo e também vale lembrar o conceito básico que: empreender não está diretamente ligado a “ter um CNPJ” (isso é uma consequência) mas sim ao ato de querer ser o protagonista de alguma mudança. Para saber um pouco mais sobre esse conceito, veja o post anterior.

1. Empreendedorismo corporativo

O empreendedorismo corporativo (ou intraempreendedorismo) acontece quando um funcionário empreende dentro da empresa em que trabalha. Mesmo sem ser o dono, o funcionário tem características de um empreendedor e consegue aplicar essa visão na empresa.

Os funcionários podem usar sua visão empreendedora para ajudar no crescimento do negócio, apresentando ideias ou soluções criativas que ajudem a melhorar um produto ou algum processo da empresa.

Senso crítico, criatividade, visão inovadora, boa comunicação, dedicação e liderança são algumas qualidades de um empreendedor corporativo.

Algumas vantagens do empreendedorismo corporativo podem ser:

  • ganho em agilidade e produtividade na empresa;
  • melhora da comunicação interna entre os funcionários;
  • correção em falhas de processos da empresa;
  • diminuição de custos de manutenção e de burocracias.

Além de ajudar no crescimento da empresa, o funcionário empreendedor também pode valorizar sua própria carreira, já que suas as ações empreendedoras podem ser reconhecidas por seus superiores.

2. Empreendedorismo de pequenos negócios

É o empreendedorismo das pequenas empresas (familiares, individuais ou com poucos funcionários). É comum que sejam empreendimentos locais que vendam bens ou serviços comuns.

A expansão do negócio não é foco principal desse tipo de empreendimento. Seus objetivos principais são a fidelização e a criação de uma relação próxima com os clientes habituais, para garantir seu lugar no mercado.

Essas empresas atendem necessidades simples e diárias do comércio local e participam ativamente da circulação da economia na região.

Podem funcionar no formato de pequenos negócios (como padarias, mercearias e salões de cabeleireiro) ou de empresas que oferecem serviços individuais (como costura, marcenaria ou limpeza).

Os tipos mais comuns de empresas de pequenos negócios são:

  • empresa de pequeno porte (EPP);
  • microempresa (ME);
  • microempreendedor individual (MEI).
3. Empreendedorismo startup

O empreendedorismo startup é o tipo de empreendimento que cria um novo tipo de negócio. Normalmente, a ideia desse tipo de empresa nasce quando o empreendedor percebe que existe uma necessidade que não é atendida no mercado.

Para atender essa demanda, o empreendedor cria um modelo de negócio com características inovadoras, ele cria soluções diferentes das que já existem no mercado.

As startups podem atuar em qualquer área de venda de serviços ou produtos, e se caracterizam pela inovação e criatividade na criação dos seus produtos.

A inovação tecnológica é uma grande aliada de empreendimentos desse tipo e pode ajudar a startup a conquistar clientes, oferecendo serviços que se ajustem à necessidade dos seus clientes.

Alguns exemplos de empreendimentos startup são:

  • Uber: aplicativo de compartilhamento de transporte;
  • Airbnb: plataforma de aluguel de casas e quartos;
  • 99 Táxi: aplicativo que conecta usuários e taxistas;
  • Ifood: aplicativo de entrega de comida.
4. Empreendedorismo social

O empreendedorismo social é direcionado a causar um impacto positivo na sociedade. Esse tipo de empreendimento oferece soluções para melhorar a sociedade, deixando o objetivo de lucro em segundo plano.

O empreendedor que decide trabalhar nessa área tem a responsabilidade social como a base do negócio, é da vontade de ajudar a sociedade que nasce motivação para empreender. Pode atuar em vários setores, como proteção ao meio ambiente, educação, serviços sociais ou atividades culturais.

Apesar de não ser o foco principal do empreendimento, a preocupação com o lucro não deixa de existir, porque ele é importante para a manutenção do negócio.

Um exemplo são as organizações sem fins lucrativos (ONGs), que ajudam, defendem direitos ou conscientizam os cidadãos sobre alguma causa social importante.

São exemplos de empreendedorismo social:

  • Associação Curso Vencedor: empresa criada por alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) que oferece curso pré-vestibular para estudantes carentes;
  • Saúde Criança: entidade que atende crianças em situação de vulnerabilidade, com acompanhamento médico e educacional;
  • Ecodom: empresa que constrói casas populares a partir de plástico e cartão reciclado.
5. Empreendedorismo digital

O empreendedorismo digital aproveita as facilidades da tecnologia para oferecer produtos ou serviços, é a aplicação da tecnologia digital para facilitar as atividades empresariais.

Essas empresas já “nascem na internet”, os negócios são mantidos online, e muitos dos seus processos (como negociação e vendas) acontecem digitalmente.

Assim como acontece em outros empreendimentos, para começar no empreendedorismo digital é importante escolher um nicho de mercado (área de atuação da empresa) e decidir quais produtos ou serviços serão oferecidos aos clientes.

A escolha é importante para definir qual o público-alvo e garantir mais chances de se tornar uma autoridade na área escolhida.

Também é preciso planejar ações de vendas, escolher a melhor plataforma digital para o negócio, investir em estratégias de marketing digital e divulgação nas redes sociais, para atingir clientes e engajar seguidores.

Algumas vantagens do empreendedorismo digital são:

  • baixo investimento inicial;
  • possibilidade de retorno financeiro mais rápido;
  • a estrutura física da empresa pode ser reduzida;
  • mais visibilidade do negócio e mais facilidade de conseguir clientes;
  • possibilidade de trabalho remoto;
  • custos de manutenção reduzidos.

São exemplos de empresas que seguiram o modelo de empreendedorismo digital:

  • Amazon: site de comércio eletrônico, que oferece produtos variados;
  • Coursera: empresa que oferece cursos e formações online;
  • Netflix: plataforma de exibição de filmes e séries;
  • Ebay: site de compras e leilões virtuais;
  • Youtube: plataforma de compartilhamento de vídeos.
6. Empreendedorismo sustentável

No empreendedorismo sustentável (ou verde) as empresas se preocupam com a sustentabilidade e a proteção ao meio ambiente.

As empresas sustentáveis oferecem serviços ou produtos voltados à proteção do meio ambiente, e também podem atuar na conscientização da importância de adotarmos medidas sustentáveis. Produtos ecológicos e mais duráveis estão entre os mais populares no empreendedorismo sustentável.

Os empreendimentos desse tipo aplicam medidas sustentáveis no dia a dia, como:

  • uso consciente e econômico de água e eletricidade;
  • redução do uso de materiais em plástico;
  • separação de lixo orgânico e lixo reciclável;
  • reaproveitamento de embalagens e papéis;
  • uso ou doação das sobras de matéria-prima para evitar o desperdício;
  • conscientização dos funcionários e consumidores sobre a importância das medidas de sustentabilidade.

São exemplos de empreendedorismo sustentável:

  • Boomera: empresa que faz reciclagem de produtos difíceis (como fraldas descartáveis) em parceria com cooperativas de catadores de lixo;
  • Loop: aplicativo que conecta usuários para compartilhar bicicletas;
  • Revoada: empresa de moda que cria produtos a partir de sobras de tecidos de guarda-chuva e câmaras de pneus.

Referências bibliográficas

BAGGIO, Adelar Francisco; BAGGIO, Daniel Knebel. Empreendedorismo: conceitos e definições. Revista de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, 1(1) p.25-38, 2014.

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. São Paulo, Editora Saraiva, 2007.

SALIM, Cesar Simões; SILVA, Nelson Caldas. Introdução ao empreendedorismo. São Paulo: Elsevier Editora, 2010.

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